Quem não sabe escrever, desenha

Untitled

Untitled, minha contribuição pra sétima rodada do Caneta

Untitled, minha contribuição pra sétima rodada do Caneta

E eu não canso de me impressionar com o Caneta, Lente e Pincel. Aí em cima é a imagem que eu enviei pro Alberto de Lima, poeta e escritor.

Agora olhem o que texto inacreditável que ele escreveu inspirado na minha imagem: Obrigado, meu caro!

Eles Chegaram em uma tarde rubra; as nuvens pegavam fogo.

Aprendi a pescar com meu pai, que aprendeu como o pai dele, que aprendeu com o dele, e assim por diante, até a cabeça doer com tanta lembrança de pai.

Meus outros professores foram o mar e o vento.

O mar era aquela coisa de doido; ora manso e generoso – tanto peixe que a canoa chegava quase a virar -, ora bravio – de forma que a canoa virava de qualquer modo mesmo. Já o vento, conduzia nossos pequenos veleiros, quando a necessidade nos levava mais longe. Às vezes, mar e vento se juntavam e era cada onda que a gente só ficava na areia, as tarrafas guardadas, abestalhados.

Muita vez, nas ignorâncias da juventude, não dava atenção aos sinais. Partia sozinho, no enfrentamento de raios e tufão. Chegando em casa era aquela surra de mãe – pai ficava no balanço da cadeira, com um sorriso matreiro, de cachimbo na boca. Mãe ainda dizia: “Acuda, minha Nossa Senhora, que esse minino ainda me mata!”. À noite, enquanto sonhava, me dava um beijo. E sorria.

Se foram em uma sexta-feira da Paixão. Por quarenta dias me retirei; remos em punhos. Alguns golfinhos e aves vinham me visitar, percebendo minha tristeza, pois tem muito bicho mais esperto e sensível que muito homem.

Superado o luto, voltei à vida de mar e peixe. Construí canoa e dei a ela o nome Gratidão, em homenagem aos velhos. Casei, tive filhas – duas sereiazinhas – e fui capitão de barco – o melhor que já existiu na vila.

O tempo foi assim passando. O sol deixando suas marcas na pele.

Até aquela tarde rubra, quando eles chegaram.

À bordo de Gratidão, vi o estranho barco surgir dentre as nuvens e pousar a meu lado. Olhei em volta, em busca de ajuda, mas ninguém me via.

Por um bom tempo ficamos ali; eu numa curiosidade só, o barco-balão a me encarar.

Foi quando uma visão na janela da embarcação me fez remar ao seu encontro. Os pescadores ao longe sorriam – vai ver, era uma boa história de pescador -, alheios ao que se sucedia em volta.

Na janela da nau, meus velhos também sorriam, a me esperar.

Texto por: Alberto de Lima, inspirado na imagem.

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Este post foi publicado em 05/10/2009 às 21:13. Ele está arquivado em 1, ilustração e marcado , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

2 opiniões sobre “Untitled

  1. Pingback: O Escafandrista e o Canário « Quem não sabe escrever, desenha

  2. Alberto de Lima em disse:

    Olá, Marcelo! Um pouco atrasado…rs, respondo que o texto só é que é porque a imagem é incrível também.

    Grande abraço,

    Alberto

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