Quem não sabe escrever, desenha

1º de setembro

Dia 1º de setembro, 2009.

O FGM, vulgo Free Ganja Movement, grupo eco-terrorista pró legalização da maconha, pôs em movimento uma impressionante ação coordenada que durou 3 semanas  onde, nos 4 cantos do globo aviões sobrevoaram desde campos ermos aos maiores conglomerados urbanos pulverizando micro sementes  pré polenizadas.

O cabeça do movimento foi devidamente localizado e submetido às penalidades previstas na lei (impressionantemente leves, posto que tais penalidades jamais estariam previstas em lei alguma). O líder, um milionário estaduniense excêntrico proveniente de Ohio, foi solto após 3 meses de retenção onde nada criminal foi provado, tendo sido ele apenas indiciado por sujar calçadas e perturbar a ordem pública.

Passado o espanto inicial os governos rapidamente tomaram as providências cabíveis, hora extra para garis e funcionários dos departamentos de vigilância e manutenção sanitária, de modo a eliminar o mais rapidamente qualquer vestígio da ação, mas era tarde demais. Em pouco tempo quase todo mundo tinha o seu pézinho.

Ao contrário do que pretendido pelo FGM, salvo raras exceções, governos de todo o mundo aumentaram drasticamente a severidade na repressão ao consumo, incinerando plantações gigantescas ao mesmo tempo em que distribuia máscaras para a população se proteger do eventual uso indevido da droga, tendo em vista os riscos de se ser um fumante passivo.

Mas um efeito inverso se fez notar na população em geral. Ser visto “queimando um” passou a ser tido como algo bom, uma forma a mais de eliminar a epidemia.Diante disso, como era de se esperar, aos poucos a repressão foi diminuindo a um tolerável “você finge que não fuma e eu finjo que é proibido”.

Em poucos anos algo curioso começou a se fazer notar. O consumo de alimentos, em especial os de preparo rápido ou de nenhum preparo – além de doces – apresentou um aumento exponencial. Diante da crescente demanda e inevitável insuficiência de oferta, em poucos anos os preços dos alimentos já acumulavam aumentos escandalosos, a ponto de que quem produzia comida não mais a vender, tendo em vista que em pouco tempo aquela comida estocada valeria muito mais. E pra completar, os poucos que possuíam dinheiro pra comprar a comida, faziam o mesmo, caso esse que culminou na famosa Guerra do Chocolate, já estudada anteriormente.

Durante anos inúmeras medidas visando o aumento de áreas de plantio foram tomadas, mas outro imprevisto se fez presente: A canabis que crescia desordenadamente reagia de forma diferente de acordo com o clima ou o tipo de solo aonde fora jogada. Em alguns crescia bem, em outros não crescia de forma alguma, mas na esmagadora maioria se notou que as plantas eram extremamente nocivas ao solo, o tornando praticamente estéril. Qualquer outra plantação ao redor definhava ou simplesmente morria.

Diante desse alarmante quadro, diversos líderes mundiais se reuniram e após gerações e gerações de discussões acerca de que destino seguir, decidiram que toda e qualquer presença da planta deveria ser eliminada, tornando portar qualquer quantidade da erva um crime contra a humanidade.

Imensas fogueiras foram organizadas, onde quantidades exorbitantes da praga eram queimadas em todo o mundo. Muitos se reuniam às fogueiras para dar sua contribuição, alguns portando violões, gaitas e chocalhos. Gigantescos ventiladores foram instalados nas principais concentrações populacionais para dissipar a perigosa fumaça entorpecente, além da já tradicional distribuição gratuita de máscaras, hábito iniciado nos primeiros dias da crise e já enraizado após séculos de uso.

Em pouco tempo a humanidade inteira já havia esquecido o que estava fazendo, porque estavam queimando o quê e achando aquilo tudo divertidíssimo.

Os séculos foram passados, a humanidade foi seguindo seu rumo em direção à natural extinção, quando um belo dia, Deus passou na Terra.

-Oi! Tem alguém aí? – Perguntou.

Sem resposta, se aproximou pra ver melhor e viu uma terra vazia. Bom, ao menos de pessoas, pois em meio a desertos escaldantes, desertos gelados e cidades devastadas ainda era possível encontrar alguns poucos animais de pequeno porte que haviam escapado de ser comidos, além de um sem fim de plantas de todas as cores.

Deus pensou: “Mas já? Não é possível, já foram extintos? E olha a bagunça que eles deixaram!!! Até os lagartos duraram mais! Bom, macaco então eu já vi que não dura, lagarto também não… É, vamos tentar um inseto dessa vez.”

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Este post foi publicado em 02/09/2009 às 12:59. Ele está arquivado em 1, crônica sobre nada e marcado , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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