Quem não sabe escrever, desenha

Engatilhado

Longe e iluminado
Cintila o morro
Lânguidas luminárias
Correm por gatos silenciosos
Miam fagulham
Centenas, centelhas
Sem telhas e sem telhados
Dão voz a personagens esquecidos

Longe e iluminado
Cintila o morro
Degraus, degredos
De grados e degradados
Engradados de homens
Num balé sublimado
Se contorcem
Na coreografia da existência

Longe e iluminado
Cintilo e morro
Lírico, lógico
No replicar dos gatilhos
Miados algozes
Sonhos cortados

Uma vela se acende

Sobre um cortejo de lágrimas.

Poema de David Cohen

Caneta Lente e Pincel

Engatilhado

Esse é o mais recente post do caneta lente e pincel. Ao contrário das rodadas anteriores, dessa vez eu recebi o texto e criei em cima dele.

Sim, eu sei. Revoltante. Essa imagem que eu inventei (photoshopei, pintei, cuspi, escarrei) é uma afronta pra qualquer pessoa que tenha um mínimo de senso estético, ou que aprecie qualquer coisa relacionada à arte. Uma afronta! Eu virei um Van Gogh do avesso.

Mas qualquer outra imagem que eu criasse diferente dessa seria negar aquilo que o poema  me inspirou. A visão desse quadro é algo de impressionante e o poema do David me arrastou de volta a ele.

A única coisa que eu pensei foi: o que nós fizemos com as estrelas? O céu do Leblon é um céu sem estrelas, de um roxo meio morto, meio agonizante. Você olha pro mar de noite, as estrelas estão lá, presas ao chão, amarradas ao morro,  cintilando e morrendo.

Mas isso não as impede de terem uma beleza quase hipnótica, um cintilar elétrico nas nossas estrelas aprisionadas, uma certa alegria, até.

Mas veja só você… Estou eu aqui praticamente formulando uma defesa prévia pela atrocidade que eu cometi com o quadro… É, talvez seja hora de rasgar meu diploma, mesmo – se bem que antes eu teria que pegar meu diploma lá na faculdade…

P.S.:

É muito bom ser designer. Sério, quando eu falo que  eu fiz uma aberração, pô, fala sério! Eu tive a pachorra (tô gostando dessa palavra) de photoshopar um Van Gogh e transformei no Vidigal. Eu não pintei, eu não fiz nada (tá, eu imprimi, desenhei umas coisas, escaneei, mas enfim).

Nessa minha onda teatral, o designer é meio que um arlequim. Ele não tem muito compromisso artístico, conhece um sem-fim de artimanhas e as usa pra atingir um objetivo artístico, pessoal ou qualquer coisa dessas. E isso é muito bom.

E eu continuo pedindo desculpas. Detalhe: desculpas pra ninguém.

E cadê a Sophie?

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Este post foi publicado em 17/06/2009 às 18:03. Ele está arquivado em Generic post, ilustração e marcado , , , , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

Uma opinião sobre “Engatilhado

  1. CAra, achei muito maneira a explicação que vc deu ontem sobre o desenho. A dedicação e tal, muito bacana. Por alguma razão obscura, mas que talvez tenha a ver com o servidor do trabalho, sua imagem não abre aqui nem no Caneta, portando, não consigo revê-la prestando atenção ao que vc destacou. Espero conseguir fazê-lo em breve ou em casa.

    Abração.

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