Quem não sabe escrever, desenha

Planos, pra quê te-los?

planos-final

planos foram feitos para serem esquecidos

Quando eu tinha 21 anos eu planejava ter um filho aos 28. Sempre me pareceu uma idade legal. Quando eu nasci meu pai já tinha 40 anos e eu sempre pensei que essa diferença grande de idade, gerações, era um problema, um complicador que eu queria evitar. Esse certamente foi o plano mais longo que eu alimentei. Morreu quando eu fiz 29 🙂 Foi quando eu descobri que eu sou realmente ruim de planos. Péssimo, pra falar a verdade.

Já planejei ser engenheiro. Tinha 12 anos na época e ano 2000 era um futuro distante, longínquo, de carros voando e robôs que faziam tudo pra você. Fiz contas rápidas e vi que no ano em que o futuro ia começar oficialmente eu já teria 22 anos. Nos meus planos eu seria, então, engenheiro e teria uma namorada (que bunitinhu! sério, isso me parecia a coisa mais distante do mundo… pensando bem, continua parecendo). Quem me conhece hoje sabe que, além do plano ser completamente idiota, deu completamente errado. Ainda bem. Aliás, nem o futuro começou, diga-se de passagem.

Planos, planos, planos. Fico pensando: deve ter no mundo pessoas que realmente têm planos. Saca o gráfico aí em cima? Planos longos, verdinhos,  constantes, ascendentes, brilhantes.

Pô, já eu? Já roubaram meus planos, quebraram, pisaram. Tirando completamente do passivo, já deixei roubarem planos meus, quebrei, pisei, avacalhei. Meu plano a mais longo prazo, provavelmente, é descongelar o peixe que está fedendo no freezer pra cozinhar no dia seguinte. E ainda assim não tenho conseguido. Meus planos são contraditórios, curtos, se odeiam, se sabotam. Já tive planos infalíveis, cebolinha style, que falharam clamorosamente. Outros planos idiotas renderam frutos inimagináveis (de onde menos se espera é de onde, em geral, não sai nada mesmo, mas quando sai…). Muitas vezes os planos não são nem sequer de fato meus. Eles por vezes se deixam enredar em planos outros. Muitas vezes eu simplesmente os abandono. Às vezes corro pra resgatar.

Sei lá.

Eu meio que vou seguindo a vida, como um cachorro segue um carro, correndo, latindo, pulando, tropeçando. E se de tanto seguir, algum dia, alcançar, vou fazer o quê? Provavelmente mijar na roda e ir embora.

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Este post foi publicado em 12/02/2009 às 11:12. Ele está arquivado em crônica sobre nada, Generic post e marcado , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

Uma opinião sobre “Planos, pra quê te-los?

  1. Gargalhadas sonoras na minha estação de trabalho ao ver esse gráfico. Também muito boa a colocação do cachorro que após alcançar o carro faz xixi e vai embora. Já até escrevi uma crônica sobre os cachorros. Pelo prazer de simplesmente fazer, foda-se o fim, aliás, não há um fim. O fazer é um meio e um fim, tem um valor em si mesmo. Quantas vezes não se viu um cachorro correr atrás de uma bola e ao chegar junto dela simplesmente desistir de pegá-la. Deve ser por isso que sou fã dos cachorros. Algumas desvairadas, veja só, tamanha a minha admiração pelo animal, chegam a dizer que sou um deles. Estranho, mas sinto-me lisonjeado. Também não compreendo o porquê de fazerem tal elogio com olhos de cólera.

    Abraço, caro Mahatma.

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